O que são padrões de tokens em blockchain
Tokens seguem regras técnicas chamadas padrões. Eles definem como criar, transferir e consultar saldos, e como carteiras e contratos falam a mesma linguagem de operação.
Sem padrão, cada token teria comandos próprios, quebrando compatibilidade. Com padrão, qualquer carteira que entende a interface envia e recebe sem ajustes locais ou gambiarra.
Ethereum, TRON e BNB Chain adotam padrões distintos para tokens fungíveis. O objetivo é igual: tornar previsível a integração e reduzir falhas em serviços que lidam com valor.

O ERC20 ganhou forma nos debates de 2015 e consolidou-se em 2017. TRC20 surgiu em 2018 com interface similar. BEP20 apareceu em 2020, mirando custos mais baixos e agilidade.
Funções de um padrão
- Definir funções mínimas: totalSupply, balanceOf, transfer, approve, transferFrom.
- Padronizar eventos como Transfer e Approval para auditoria e reconciliação.
- Estabelecer retornos previsíveis e erros claros para integradores e bolsas.
Na prática, isso reduz atrito para o investidor: o mesmo token circula em carteiras, DEXs e custodiantes sem configurações exclusivas ou dependência de software fechado.
Exemplo prático
Fluxo básico
- A carteira consulta balanceOf do endereço antes da operação.
- O usuário autoriza gasto com approve para um contrato ou serviço.
- O aplicativo move fundos usando transferFrom dentro das permissões.
Padrões não prometem retorno, apenas regras claras. Essa previsibilidade sustenta liquidez, ajuda auditorias e reduz risco operacional ao mover dinheiro em redes públicas.
ERC20: características e uso no ecossistema Ethereum
O ERC20 foi definido em 2015 como proposta de padrão. Ele descreve funções que tokens precisam ter para operar em contratos e aplicativos da rede Ethereum.
O padrão ganhou força em 2017 com a explosão das ICOs. Projetos de captação criaram milhares de tokens baseados em ERC20, tornando-o sinônimo de token digital.
Vantagens do ERC20
ERC20 tem liquidez global. Exchanges, carteiras e protocolos o aceitam. Stablecoins como USDT e USDC nasceram nesse padrão e se tornaram parte essencial do mercado.
A diversidade de DApps, DeFi e NFTs hospedados na Ethereum depende desse padrão. O investidor encontra maior profundidade de mercado e opções avançadas de uso.
- Aceitação quase universal em corretora cripto e carteiras digitais.
- Base de contratos inteligentes com mais de 500 mil tokens criados.
- Suporte direto às maiores stablecoins e projetos DeFi relevantes.
Desvantagens do ERC20
As taxas de transação são altas. Durante picos de uso em 2021, transferir ERC20 custava até 60 dólares, tornando operações pequenas inviáveis.
A rede tem capacidade de 15 a 30 transações por segundo. Isso causa lentidão em períodos de demanda elevada e prejudica quem depende de agilidade.
Exemplo prático
Um investidor que envia USDT ERC20 entre duas corretoras paga taxas maiores. Se o envio for de 50 dólares, a taxa pode consumir parte relevante do valor.
Esse custo explica porque muitos usuários migraram para padrões mais baratos em transferências rotineiras, deixando o ERC20 para usos em DeFi e contratos.
TRC20: vantagens e limitações da rede TRON
TRC20 foi lançado em 2018 como padrão da rede TRON. Ele replica funções do ERC20, mas em uma rede voltada para velocidade e baixo custo.
A TRON consegue milhares de transações por segundo. Isso permite envios rápidos, com taxas quase nulas, favorecendo usuários que precisam de liquidez imediata.
Custos de transação no TRC20
Enquanto no Ethereum uma simples transferência pode custar dezenas de dólares, na TRON a mesma operação sai praticamente de graça.
Esse diferencial transformou o TRC20 em padrão dominante para transferir stablecoins como USDT, reduzindo barreiras de entrada para investidores iniciantes.
- Custo médio por envio: próximo de zero.
- Taxas previsíveis, mesmo em períodos de alta demanda.
- Velocidade de confirmação em segundos.
Principais usos em stablecoins
Mais da metade das transações globais de USDT usam TRC20. Isso reflete a preferência por uma rede que alia eficiência e custo reduzido.
Com o crescimento da adoção, TRON se consolidou como a rede favorita para transferir valores entre corretoras, sem atrasos ou custos elevados.
Limitações do TRC20
Apesar da força nas stablecoins, TRC20 é pouco usado em DeFi, jogos ou NFTs. O ecossistema ainda é restrito se comparado ao Ethereum ou à BNB Chain.
Essa limitação significa que o investidor encontra utilidade prática, mas não o mesmo leque de aplicações que outros padrões oferecem.
BEP20: como funciona no ecossistema BNB Chain
BEP20 surgiu em 2020 com a criação da BNB Smart Chain pela Binance. Ele é compatível com ERC20, mas foi projetado para operar com custos menores.
O padrão ganhou popularidade por unir baixas taxas, alta velocidade e integração direta com os serviços da Binance, uma das maiores corretoras do mundo.
Compatibilidade do BEP20
Tokens ERC20 podem ser adaptados para BEP20, permitindo que projetos existam em várias redes. Isso facilita a expansão e atrai usuários.
Esse recurso abriu caminho para protocolos como PancakeSwap, que prosperaram ao oferecer serviços parecidos com o Uniswap, mas em ambiente mais barato.
- Integração nativa com Binance Exchange.
- Suporte a tokens espelhados de outras redes.
- Facilidade de uso em aplicativos DeFi e jogos.
Custos e acessibilidade
Enviar tokens BEP20 custa centavos, mesmo quando a rede está movimentada. Isso permite que investidores de menor porte participem do mercado.
Essa acessibilidade tornou a BNB Chain popular entre iniciantes, que conseguem realizar várias transações sem perder grande parte do valor em taxas.
Exemplo prático
Um usuário pode movimentar 100 dólares em BEP20 pagando menos de 10 centavos de taxa. Em Ethereum, a mesma ação custaria muito mais.
Esse cenário transformou o BEP20 em opção recorrente para quem busca reduzir custos sem abrir mão de interagir com projetos ativos em blockchain.

Diferenças técnicas entre ERC20, TRC20 e BEP20
Apesar de seguirem funções parecidas, os três padrões se diferenciam em custos, velocidade e grau de adoção. Cada um reflete a proposta da rede em que foi criado.
No Ethereum, o ERC20 oferece segurança e liquidez, mas com taxas elevadas e baixa velocidade. Já o TRC20 prioriza acessibilidade e volume, com transações rápidas.
O BEP20 combina compatibilidade com baixo custo, atraindo usuários que buscam equilíbrio entre eficiência e facilidade de acesso a aplicativos descentralizados.
Pontos de comparação
- ERC20: base de DeFi, taxas altas, 15 a 30 transações por segundo.
- TRC20: transações quase gratuitas, milhares por segundo, foco em stablecoins.
- BEP20: taxas em centavos, 160 transações por segundo, integração com Binance.
Adoção em diferentes ecossistemas
ERC20 domina o setor de DeFi, abrigando protocolos como Uniswap e Aave. TRC20 domina transferências de stablecoins como USDT. BEP20 cresceu com PancakeSwap e jogos digitais.
Exemplo prático
Se um usuário deseja investir em DeFi, escolherá ERC20. Para transferir USDT entre corretoras, TRC20 é mais viável. Para transações baratas em DApps, BEP20 é a opção prática.
Cada padrão mostra como redes competem não apenas por tecnologia, mas pela forma como reduzem custos e aumentam a utilidade para o investidor.

Custos e velocidade de transação em cada rede
Cada padrão apresenta desempenho diferente em custo e rapidez. Esses fatores influenciam diretamente a escolha do investidor em operações do dia a dia.
No Ethereum, enviar ERC20 pode custar entre 5 e 50 dólares. A rede processa 15 a 30 transações por segundo, tornando-a cara e limitada em momentos de alta demanda.
Na TRON, transferências TRC20 são quase gratuitas e confirmadas em segundos. A rede suporta milhares de transações por segundo sem travar em picos de uso.
No padrão BEP20, taxas giram em poucos centavos e a velocidade é de cerca de 160 transações por segundo. Isso a torna viável para pequenos investidores.
Resumo comparativo
- ERC20: 15–30 TPS e taxas médias de 5 a 50 USD.
- TRC20: mais de 2.000 TPS com custo quase zero.
- BEP20: cerca de 160 TPS e taxas em centavos.
Exemplo prático
Um investidor que envia 100 USDT pelo ERC20 pode gastar até 20 dólares em taxa. No TRC20, o mesmo envio custa menos de um centavo. No BEP20, alguns centavos.
Essas diferenças mostram como custos e velocidade não são detalhes técnicos, mas fatores que determinam se uma rede é viável para uso cotidiano ou apenas nichado.
Qual rede usar em diferentes situações de investimento
A escolha entre ERC20, TRC20 e BEP20 depende do objetivo. Cada rede resolve problemas diferentes e atende perfis distintos de investidores.
Transferência de stablecoins
TRC20 é o padrão mais usado para transferir USDT entre corretoras. Ele oferece custo quase zero e rapidez, sendo ideal para quem movimenta valores com frequência.
Interação com DeFi e DApps
ERC20 domina o setor DeFi com protocolos como Uniswap, Aave e MakerDAO. Quem busca acesso a liquidez e contratos avançados tende a usar tokens ERC20.
Estratégias para reduzir custos
BEP20 é opção para quem busca taxas baixas e acesso a DApps. O ecossistema da BNB Chain cresceu em jogos e plataformas de staking, tornando-se atrativo.
Exemplo prático
Um investidor que deseja apenas enviar stablecoins opta por TRC20. Se busca acessar pools de liquidez, escolhe ERC20. Para transações baratas, recorre ao BEP20.
Assim, a rede adequada depende da finalidade. Não existe padrão melhor em tudo, mas há um mais apropriado para cada uso e estratégia de investimento.
Conclusão
ERC20, TRC20 e BEP20 seguem funções parecidas, mas cada padrão cumpre papéis distintos no mercado. A escolha depende do objetivo de cada investidor.
ERC20 domina os protocolos DeFi, oferecendo profundidade de mercado. TRC20 lidera no envio de stablecoins, graças à velocidade e custo quase nulo.
BEP20 cresce como alternativa barata e prática para acessar DApps e jogos. Sua integração com Binance ampliou a adoção entre iniciantes e pequenos investidores.
No fim, não existe padrão melhor em todos os aspectos. O importante é avaliar custo, velocidade e compatibilidade antes de decidir qual rede usar em cada situação.